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Guia de Vacinação Canina

13/06/2011 23:33

 

Guia de vacinação Canina

 

 

O primeiro guia de vacinação foi publicado para gatos em 1998 pela American Association of Feline Practitioners (AAFP), e o de cães, em março de 2003, a American Animal Hospital Association (AAHA) publicou o Guidelines on Canine Vaccination. O documento recomendava intervalos de reforço de três anos para cães adultos contra o vírus da cinomose, parvovírus, adenovírus-2 e o vírus da parainfluenza.  Em 2004, os fabricantes de vacina anunciaram os resultados de diversas pesquisas que demonstrvam a capacidade de proteção de vacinas combinadas contra o vírus da cinomose, parvovírus e adenovírus-2, validando as recomendações contidas no guia de vacinação de cães. O vírus da parainfluenza não obteve uma durabilidade comprovadamente eficaz de três anos.

Adiante o Guidelines for the vaccination of dogs and cats da WSAVA, foi publicado em 2007 e atualizado em 2010, reafirmando a segurança da vacinação trienal das vacinas essenciais. Contudo as vacinas veterinárias aprovadas pelo US department of Agriculture (USDA), tem historicamente em suas bulas, uma recomendação de revacinação após um ano, pois infelizmente ainda não aceitaram as recomendações e pesquisas acerca da vacinação trienal, com a exceção da vacina contra raiva, com aprovação para intervalos de revacinação de a cada 3 anos, claro dependendo do fabricante.

 

O intervalo de revacinação anual reduziu bastante a prevalência de doenças infecciosas em cães e gatos. Além disso, a visita anual para revacinação tem proporcionado aos veterinários e aos proprietários de animais de companhia, um tempo conveniente para um exame físico periódico, e uma revisão e discussão sobre o estado de saúde do animal. Nos últimos anos, entretanto, o intervalo anual de revacinação tem sido cada vez mais questionado como sendo arbitrário e estabelecido com base em conveniência e dados científicos limitados.

 

É importante ressaltar que apesar da controvérsia acerca do intervalo de dose de reforço de três anos para algumas vacinas, os guias de vacinação publicados, são recomendações e não uma regra de protocolo de vacinação. È responsabilidade do veterinário formular um protocolo ideal para cada animal, pois a escolha do protocolo e da vacina  ainda é baseado na avaliação clínica, idade e estilo de vida. Ainda leva-se em consideração o tipo de vacina (vírus vivo atenuado, modificado, inativado, proteína recombinante), a quantidade de antígenos que compõe a vacina, a cepa utilizada, a tecnologia empregada, a segurança e a presença ou não de adjuvantes.

 

No Brasil, existe uma grande resistência por parte dos veterinários em aceitar a vacinação trienal. No entanto existem provas irrefutáveis quanto à duração da imunidade em relação às três principais doenças caninas que são consideradas essenciais a todos os animais. Entretanto não é qualquer vacina, justamente por isso se torna difícil recomendar um guia de vacinação sem falar das marcas disponíveis no mercado e apesar de todas recomendarem vacinação anual, algumas são comprovadamente capazes de produzir uma imunidade máxima e segura de três anos quando aplicadas em animais saudáveis.

 

 

Vacinas essenciais, não essenciais e não recomendadas

 

 

As recomendações das vacinas se baseiam no conceito de vacinas core (essenciais ou nucleadas), non-core (não essenciais ou não-nucleada) e não recomendadas.

 

 

Vacinas Core, Nucleadas ou essenciais

 

 

As vacinas core são indicadas e aplicadas a todos os cães atendidos na clínica, devida a gravidade e prevalência da enfermidade provocado pelo microorganismo, risco de transmissão, potencial zoonótico (raiva) e uma eficácia comprovada da vacina.

 

São consideradas essenciais ou core: vírus vivos modificado (MLV) ou vírus recombinante da cinomose canina (rCDV), MLV de adenovírus-2 Canino (CAV-2), MLV da parvovirose canina (CPV-2) e a vacina de vírus Rábico inativado.

Ps: Em todas as vacinas utiliza-se o adenovirus-2 agente causador de doença repiratória, mas que produz imunidade cruzada com o agente adenovirus-1 causador de hepatite infecciosa canina.

 

 

Vacinas non-core, não nucleadas ou não essenciais

 

 

Aqui certas vacinas não são essenciais a todos os animais, apenas sendo recomendadas para cães com risco de razoável de exposição a um microorganismo sabidamente infeccioso. Portanto aqui a vacinação depende de fatores como moradia, endemicidade geográfica, idade, oportunidade de circulação e status de saúde.

 

São consideradas não essenciais ou non-core: Bordetella bronchiseptica, Leptospirose, Vírus da parainfluenza,

 

 

Vacinas não recomendadas

 

 

São vacinas não recomendadas para cães e gatos, pois o microorganismo causa uma doença branda ou auto-limitante e às vezes os efeitos adversos da vacina não compensam seu uso.

São consideradas não recomendadas: Giardia spp e peritonite infecciosa (PIF).

 

 

Duração das vacinas

 

 

A duração da vacina contra o vírus da raiva, cinomose, parvovírus e adenovírus-2 dependendo do fabricante imuniza até 3 anos. As vacinas de vírus da parainfluenza, Bordetella bronchiseptica e Giárdia spp tem duração aproximada de 1 ano, enquanto as vacinas contra lestospirose duram cerca de 6 meses.

 

 

Protocolo de vacinação para cães: Apos a fase adulta revacinar a cada três anos (depende da marca da vacina).

 

Idade à vacinação

 

 

Vacina core essencial

 

 

Vacina non-core (opcional) Quando há risco de infecção

6 - 8 semanas

Cinomose (MLV ou recombinante)

Parvovírus

Adenovírus-2

 

 

 

10 -12 semanas

Cinomose (MLV ou recombinante)

Parvovírus

Adenovírus-2

 

Vírus da parainfluenza

B. Bronchiseptica (intranasal)

 

Leptospirose

 

14 – 16 semanas

Cinomose (MLV ou recombinante)

Panleucopenia

Herpesvirus-1

Calicivírus

Raiva

 

Vírus da parainfluenza

B. Bronchiseptica (intranasal)

 

Leptospirose

 

+ 1 anos

Cinomose (MLV ou recombinante)

Panleucopenia

Herpesvirus-1

Calicivírus

Raiva

Vírus da parainfluenza

B. Bronchiseptica

 

Leptospirose

 

+ 2 anos

 

Vírus da parainfluenza

 

B. Bronchiseptica Leptospirose

 

+ 3 anos

 

Vírus da parainfluenza

B. Bronchiseptica

 

Leptospirose

 

+ 4 anos

Cinomose (MLV ou recombinante)

Panleucopenia

Herpesvirus-1

Calicivírus

Raiva

Vírus da parainfluenza

 

B. Bronchiseptica Leptospirose

 

+ 5 anos

 

 

 

+ 6 anos

 

 

 

+ 7 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cinomose (MLV ou recombinante)

Panleucopenia

Herpesvirus-1

Calicivírus

Raiva

Vírus da parainfluenza

 

B. Bronchiseptica

 

Leptospirose

 

Vírus da parainfluenza

 

B. Bronchiseptica

 

Leptospirose

 

Vírus da parainfluenza

 

B. Bronchiseptica

 

Leptospirose

 

         

 

 

Porque é necessario aplicar três doses ou mais em filhotes?

 

Recém nascidos recebem anticorpos maternos, a maior parte dessas imunoglobulinas são recebidas por via transplacentária (5 a 10%) e o restante no colostro (leite mamado nas primeiras 24 horas, após esse período os filhotes não adsorvem mais esses anticorpos). Devida imaturidade do sistema imunológico do recém nascido a sabia natureza lhe forneceu esses anticorpos prontos através da mãe, que é chamada de imunidade passiva, entretanto ele precisa desenvolver seus próprios anticorpos (imunização ativa) e isso é responsabilidade da vacinação.

Assim do mesmo modo como protegem os filhotes contra as infecções, os anticorpos interferem na imunização induzida pela vacina. Na, verdade os anticorpos transferidos aos filhotes desempenham seu papel protetor, neutralizando os agentes patogênicos que adentrem seu organismo, porém as vacinas também são reconhecidas pelo seu sistema imunológico como patogénos e, como estes, sofrem neutralização pelos anticorpos maternos antes que consigam desencadear uma resposta imunológica própria pelo filhote (imunização ativa).

O período conhecido como janela de vulnerabilidade refere-se à fase em que os filhotes possuem quantidades de anticorpos maternos capazes de interferir na imunização, mas insuficientes para protegê-los de infecções. Normalmente, são os filhotes que já receberam uma ou duas doses de vacina, mas ainda não montaram uma resposta imune adequada e continuam suscetíveis a doenças.

 

Assim como os anticorpos protegem os filhotes contra a infecção natural, eles impedem também a vacinação dos mesmos. È de suma importância lembrar que os vírus vacinais são atenuados ou inativados com o proposito de oferecer o máximo de segurança ao filhote. São, portanto, mortos ou tornados menos virulentos que os virus originalmente causadores da doença. Por serem atenuados, esses vírus conseguem replicar na célula hospedeira somente quando o titulo de anticorpos estiver muito baixo, pois os anticorpos maternos neutralizam e destroem os agentes infecciosos vacinais.

Ao passo que os vírus "do ambiente", "de campo" ou "selvagens" conseguem infectar o organismo mesmo na presença de maior quantidade de anticorpos maternos transferidos ao filhote, capaz de bloquear um vírus vacinal, é menos que a necessária para prevenir a infecção natural. Em outras palavras, assume-se, em uma determinada fasa de vida do animal e por um periodo variável de a tempo, a quantidade de anticorpos maternos circulantes é capaz de bloquear uma vacina mas não é capaz de bloquear a infecção natural. Isso é, o filhote não responde à vacina, mas é suscetivel aà infecção natural. Esse período crítico ocorre em todas as infecções virais, é chamada de janela de vulnerabilidade. Por essa razão não é aconselhado que o filhote tenha contato com outros cães, saia para passear durante os 4 a 5 meses de idade, queé o tempo de duração dos anticorpos maternos e a formação de uma resposta imunológica ativa.

 

Quanto maior o titulo de anticorpo da mãe, tanto maior o titulo de anticorpos dos filhotes. Fatores como tamanho da ninhada, quantidade de colostro ingerido podem interferir no grau de imunidade passiva transferida. Filhotes pertencentes a uma ninhada pequena, ou os mais vigorosos em relação aos demais, tendem a apresentar títulos mais altos; aqueles oriundos de uma cadela com baixa imunidade ou pertencentes a prole numerosa ou ainda os mais debilitados, com maior dificuldade de acesso à teta materna, possuem título mais baixo de anticorpos. Ainda um cadela que nunca foi vacinada, ou não seguiu um protocolo adequado, pode não transferir anticorpos aos seus filhotes e esses podem se infectar ainda antes da primeira vacinação.

 

 

A época em que o animal responderá à vacinação só pode ser determinada pela titulação de anticorpos e estará na dependência da imunidade transferida passivamente. Como, na prática, esse procedimento é inexequível, o programa de vacinação dos filhotes deve prever o uso de 2 a 3 doses de imunógenos específicos, conforme o caso, iniciando-se a primeira dose entre 6 e 8 semanas de idade; a segunda entre 9 e 11 semanas; e a terceira entre 12 e 14 semanas de vida. Aqueles que tiverem títulos menores de anticorpos poderão responder ao estímulo vacinal já na primeira aplicação, enquanto os que possuírem títulos maiores não responderão à primeira dose, quiçá também à segunda, sendo imunizados após a terceira dose. A aplicação de três doses não significa que estará havendo reforço da imunização, com respostas às três doses e, sim, uma estratégia no sentido de abranger a maior parte dos suscetíveis na primoimunização.

De qualquer maneira, todos os animais passarão pelo período crítico, em que não respondem à vacinação. Porém, estarão suscetíveis à infecção, se expostos ao risco. Em se tratando da cinomose, em que a transmissão se faz por via aerógena, e sendo o vírus pouco resistente às condições ambientais ou aos desinfetantes comuns, a melhor forma de proteção é a manutenção dos filhotes isolados do contato com outros animais, principalmente portadores do vírus. Quanto à parvovirose, a mesma medida deve ser indicada, porém as características do vírus (maior resistência natural, com um longo período de sobrevivência no meio ambiente), tornam muito maior a possibilidade de infeção natural, independente do contato com outros animais.

A única forma de minimizar esse período crítico, diminuindo-o, é utilizar uma vacina segura e eficaz, em que o vírus vacinal seja capaz de comportar-se do ponto de vista imunogênico como o vírus causador da doença: sobrepujar os anticorpos remanescentes, infectar o animal, replicar-se e induzir a formação de sólida imunidade, adquirida ativamente, sem, no entanto, causar qualquer malefício ao hospedeiro. Isso pode ser conseguido por duas vias: maior massa antigênica ou maior título vacinal (maior número de partículas virais, parte das quais poderá ser neutralizada pelos anticorpos e parte subsistirá para replicar-se nas células do hospedeiro) ou menor atenuação do vírus (menor número de passagens em cultivo celular).

 

 

Marcas e características das vacinas caninas

 

 

 

 

Vacinas não são produtos genéricos. Vacinas fabricadas por diferentes empresas têm características distintas, podendo (e frequentemente isso ocorre) ter uma maior ou menor grau de eficácia e de reatogenicidade. O que determina que isso ocorra não são apenas as diferentes composições de cada vacina, mesmo que sejam contra os agentes infecciosos iguais, mas também todo o processo tecnológico de produção.

 

 

Existem vacinas atenuadas, que são produzidas com o vírus vivo e atenuada por diversas passagens em culturas, e o vírus inativado que é produzido com o vírus morto.

 

 

São exemplos de vacinas elaboradas com antígenos inativados as vacinas contra raiva, coronavirose, lestospirose,  dependendo da marca da vacina a panleucopenia felina, herpesvirus-1, calicivirose entre outras. A grande maioria das vacinas veterinárias é atenuada devido à melhor resposta imunológica, no entanto a tecnologia tem desenvolvido vacinas recombinantes, que proporcionam uma ótima resposta imune sem o risco de reversão da virulência e ainda possibilita uma imunização precoce dos filhotes, pois não sofre a interferência dos anticorpos maternos, um exemplo é a vacina polivalente Recombitek da merial, onde a cinomose é recombinante. A base da tecnologia recombinante esta na habilidade de isolar ou unir (ou recombinar) fragmentos de DNA que codifica apenas a proteína imunogênica.

 

 

No que diz respeito à estimulação do sistema imunológico, em geral, os antígenos inativados são menos “competentes” do que as vacinas elaboradas com microorganismos vivos atenuados e, conseqüentemente, do que o agente etiológico selvagem contra o qual se busca proteção. Assim, para melhorar a resposta imunológica das vacinas elaboradas com antígenos inativados lança-se mão de alguns artifícios: aplica-se um número maior de doses como

 

 

Vacinas atenuadas não requerem a adição de adjuvantes. Os vírus vivos atenuados se replicam no indivíduo vacinado e, por si só, potencializam a sua resposta imunológica. Portanto apenas em vacinas inativadas é necessário promover uma reação inflamatória local com estimulação das células dendríticas, que participam da resposta imunológica e assim conferem uma proteção de longa duração. A maioria das vacinas inativadas apresenta o hidróxido ou fosfato de alumínio em sua formulação,

 

 

O poder adjuvante do alumínio está baseado no conceito de antígeno de deposito, onde promovem a formação de agregados que podem ser mais facilmente fagocitados e ainda, há a formação de um foco inflamatório estéril que atrai as células imunológicas. Ocorre ainda a ativação do sistema complemento (pela via alternativa) causando uma resposta inflamatória que estimula a resposta humoral.

 

 

A importância clínica da vacinas inativadas se deve ao fato que o adjuvante aumenta o risco de reações adversas no local da aplicação, por exemplo o desenvolvimento de sarcomas. Outro fator importante se deve a formação de cristais de hidróxido de alumínio em vacinas inativadas que forem congeladas, estes cristais aumentam as reações colaterais, vale ressaltar que todas as vacinas devem ser corretamente armazenadas, transportadas e conservadas sempre na temperatura de 2°C a 8°C.

 

 

Quando um animal entra em contato com um antígeno pela primeira vez ocorre à resposta primária, nesse padrão de resposta, transcorridos alguns dias (em média, 5 a 14 dias) há um predomínio inicial de anticorpos da classe IgM. Posteriormente é que anticorpos da classe IgG, IgE e IgA começam a ser detectados. Quando ocorre a reexposição a um determinado antígeno a produção de anticorpos ocorre de forma mais rápida. Em geral dentro de 3 a 7 dias após a reexposição já se detecta uma elevação de anticorpos. Nesse tipo de resposta pode ocorrer elevação de IgM, mas o predominante é a elevaçãode anticorpos das classes IgG e IgA.

 

 

Reações adversas nas vacinas atenuadas serão semelhantes aos sintomas leves da doença que se esta prevenindo, uma vez que o antígeno vivo estará no organismo estimulando uma resposta imune. Assim, ao contrário das vacinas atenuadas, as inativadas não têm como provocar eventos adversos sistêmicos que lembrem a doença que se pretende evitar, pois não há a replicação do microorganismo.

 

 

 

Vacinas caninas polivantes

Empresa

Nome comercial

Antigenos

Tipo de vacina

Observações

Fort dodge

Duramune® Max 5 – CvK/4L  (V10)

 

 

 

 

 

 

 

Duramune® Max 5 CvK (V5 ou V6) sem leptospirose

Cinomose, Hepatite, Adenovírus Tipo 2, Parainfluenza, Parvovirose, Coronavirose

L. Canicola, L. icterohaemorrhagiae, L. grippotyhosa e L. pomona.

Cinomose, Hepatite Infecciosa Canina, Adenovírus Canino Tipo 2, Parainfluenza, Parvovirose e Coronavírus Canino.

Atenuada exceto coronavírus e as leptospiroses que são inativadas